Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012

Etologia e filopsiquismo

Relaciono, neste artigo, o conceito etológico de padrões inatos de acção com conceitos psicológicos, baseando isso um filopsiquismo, ou uma psique com uma evolução psicológica ao longo das gerações humanas.

 

É de notar que, nas influências e relações estabelecidas entre Etologia e Psicologia, há abordagens da Psicologia que dão particular importância à filogénese, como o Comportamentalismo e a perspectiva Junguiana, com o seu conceito de inconsciente colectivo.

 

Começo este artigo, referindo-me ao conceito fundamental em etologia de padrões inatos de acção. Estes padrões, presentes nos animais, indicam comportamentos inatos, baseados na genética, na lide do animal com o meio ambiente à sua volta.

 

Ora, um aspecto a realçar aqui é, na Psicologia, a existência de padrões de funcionamento psicológico, tal como determinados por testes psicológicos, que seguem uma tendência padronizada, passe-se o pleonasmo, particularmente uma tendência matemática gaussiana.

 

Dados ambos os aspectos serem fundamentais, básicos, pressupõe-se aqui uma relação entre os padrões inatos de acção e os padrões psicológicos gaussianos. É como se os padrões psicológicos tivessem derivado, na evolução humana, dos padrões inatos de acção. Ora, dado este inatismo, isto remete-nos para o conceito de inconsciente colectivo ( Jung, 1988 ), que diz respeito a vestígios de experiências passadas da Humanidade.

 

Outro pressuposto, neste artigo, é que quanto mais a psique fôr de tendência central, mais norma, mais essa psique está relacionada com os tais padrões inatos de acção e mais estará dependente deles, estando, em sequência, mais próxima do inconsciente colectivo. Isto, porque a frequência mais normativa da psique estará mais próxima dos aspectos mais padronizados, já referidos, dos animais, particularmente a nível evolutivo.

 

Dou dois exemplos explanatórios para o já indicado. Esses exemplos são as tendências comunistas e as tendências hedonistas capitalistas.

 

Quanto às tendências comunistas, remeto para o meu artigo Psicologia matemática relacionada com tendências capitalistas e tendências comunistas ( Resende, 2010 ), em que elaborando as tendências psicológicas gaussianas comunistas, indico a tendência central comunista, ou seja, a tendência para as massas funcionarem medianamente. Relacionado com o referido neste artigo, tem-se que os comunistas consideram que a história da humanidade é a história da luta de classes, em que se tem coerentemente uma relação entre os ideais comunistas, mais a nível ontogenético, e a análise da evolução histórica humana, mais a nível filogenético. Ora, em conjunto isto remete-nos para um filopsiquismo comunista.

 

Já em relação às tendências hedonistas capitalistas, é de notar que as massas, mais normativo, portanto, nas sociedades capitalistas, particularmente no Capitalismo global, tendem a ter como ideal extremo o hedonismo. Isto, numa análise psicológica, remete-nos para a tendência para a brincadeira hedonista, após a infância, estar relacionada com as brincadeiras infantis, particularmente com a sobrecompensação das mesmas. Dir-se-à, numa primeira análise, que parece que as massas hedonistas capitalistas não brincaram em criança, ou pelo menos não brincaram o suficiente.

Em termos históricos da evolução humana, e relacionado com este artigo, remeto para a noção especulativa de Zecharia Sitchin ( 1990 ), no seu Genesis revisited - Is modern science catching up with ancient knowledge?. A noção, baseada na tradução de tábuas cuneiformes sumérias milenares, indica-nos que a Humanidade terá sido criada por engenharia genética, juntando geneticamente um primata, já existente na Terra, e extraterrestres. Ademais, assim a noção traduzida avança, o ser humano terá sido criado  para ser uma espécie escrava, dedicando-se à mineração de ouro, que os extraterrestres necessitavam para proteger a atmosfera do seu planeta. 

Temos esta noção do ser humano ter sido criado escravo, o que, filopsiquicamente,  indica-nos que o ser humano, no seu início, não se terá dedicado ao lazer, não terá brincado, por assim dizer. Assim, parece que, filopsiquicamente, as massas hedonistas das sociedades capitalistas estão a sobrecompensar o que não brincaram no início da sua evolução, o que é também coerente com o não terem brincado o suficiente enquanto crianças. Dada a natureza deste artigo, a noção especulativa de Sitchin ganha plausibilidade. 

 

A reforçar as ideias deste artigo, é de considerar um artigo meu, a saber, Antropologia psicanalítica: filogenia e ontogenia ( 2007 ). Nesse artigo, procuro evidenciar a repetição de padrões da filogenia na ontogenia, como a base ontogenética da filogenia, recorrendo, para isso, às fases de desenvolvimento psicossexual. Considerando a sequência destas fases, é de referir dois exemplos relativos à fase anal e à fase fálica. Assim, compara-se a predominância da fase anal e a vivência em grutas, relativamente ao que está fora e ao que está dentro, quanto ao que é conservado quanto ao que é expelido. Em relação ao que está na gruta, ao que é protegido, conservado, e àquilo que é feito no exterior da gruta, como o ir caçar e ir explorar o ambiente. Para mais, é de comparar a fase fálica, com aspectos relativos à ambição, à vaidade e ao exibicionismo, em particular, e as manifestações artísticas na vivência grutal, de celebração do sucesso das caçadas nas pinturas grutais, relativas predominantemente aos aspectos da vaidade e de exibicionismo, com a ambição de novos e melhores sucessos. É de considerar ainda os aspectos da ambição fálica no que se relaciona com a agressividade fálica, e o desenvolvimento ou o início do desenvolvimento de utensílios de caça, em particular, lanças e setas.

 

Para finalizar o artigo, dir-se-à que se tem, pois, coerentemente, filopsiquismos comunistas e capitalistas, importantes nas sociedades humanas, derivados de noções etológicas.

 

 

Bibliografia

 

Jung, C. G. ( 1988 ). A prática da psicoterapia ( trad. port. ). In Obras Completas de C. G. jung, Vol. XVI. Petrópolis: Editora Vozes ( edição original, 1971 )

 

Resende, S. ( 2007 ). Antropologia psicanalítica: filogenia e ontogenia em www.redepsi.com.br, na secção Artigos/Teorias e Sistemas no Campo Psi em 29/03/2007

 

Resende, S. ( 2010 ). Psicologia matemática relacionada com tendências capitalistas e tendências comunistas em www.redepsi.com.br, na secção Artigos/Teorias e Sistemas no Campo Psi em 05/11/2010

 

Sitchin, Z. ( 1990 ). Genesis revisited - Is modern science catching up with ancient knowledge?. Avon Books

publicado por sergioresende às 12:00
link | comentar | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Outubro 2015

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

12
13
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28
29
30
31


.posts recentes

. Complemento a Etologia e ...

. Anima e Animus: conquista...

. Teoria do Tudo em Psicolo...

. Exopsicologia e obesidade...

. Perspectivas evolutivas d...

. A internalização da lei d...

. Complemento a O palhaço d...

. Complemento a Inteligênci...

. Generosidade fálica na mu...

. Exopsicologia e ascensão ...

.arquivos

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Janeiro 2015

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Setembro 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Março 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Março 2008

. Dezembro 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

.tags

. todas as tags

blogs SAPO

.subscrever feeds