Terça-feira, 13 de Novembro de 2012

Claustrofobia histérica: por trás do trauma das abducções alienígenas

No âmbito da exopsicologia, como se pode ver em Exopsicologia: uma nova área de estudo ( Resende, 2009 ), ou seja, no âmbito do estudo psicológico das relações e funcionamento psíquico, mental, entre os humanos e entidades e civilizações extraterrestres e/ou alienígenas, considera-se, neste artigo, que as características claustrofóbicas associadas ao histerismo estão na base do trauma das abducções alienígenas. Indicam-se propostas psicoterapêuticas para esse trauma.

 

Como se pode verificar em Sequestro ( 1994 ), do famoso psiquiatra John E. Mack, como em muita da restante literatura ovnilógica, há um tema recorrente, relativamente aos extraterrestres, que é o tema das abducções alienígenas. Estas abducções são descritas, na sua maior parte, como estando o indivíduo a dormir, o mesmo acorda, notando a presença, em geral, de vários seres extraterrestres no seu quarto, supostamente teletransportados, ou nalgumas descrições, passando através das paredes, situação após a qual, o indivíduo, é, geralmente, levado a bordo de uma nave. Ora, a situação de seres extraterrestres surgirem, aparentemente do nada, no quarto do indivíduo, estará associada a um trauma.

 

E é esta mesma situação traumática que eu gostaria de associar com características claustrofóbicas que podemos associar ao histerismo.

 

Em A claustrofobia enquanto perturbação histérica ( Resende, 2008 ), considero que na claustrofobia, todos os referenciais estão presentes, todos os pontos de referência estão presentes e sentidos como pertos de mais. Nesta situação de excesso de referências, o indivíduo entre em descompensação histérica. Isto considerando as delineações de Bergeret ( 1997 ) acerca da estrutura de personalidade histérica.

 

Ora, nas abducções alienígenas, os seres extraterrestres no quarto serão sentidos como perto de mais, conferindo excesso de pontos de referência. Assim, o trauma que surgirá estará associado a esta situação claustrofóbica, trauma esse que baseia-se, deste modo, numa reacção histérica.

 

Em geral, para um indivíduo lidar melhor com este tipo de abducções alienígenas, deverá desenvolver uma reacção mais obsessiva. Esta reacção obsessiva estará mais na linha agorafóbica, como se pode verificar em A agorafobia enquanto perturbação obsessiva ( Resende,2008 ), em que o indivíduo se confronta mais com a falta de pormenores, de detalhes, de referências. Por outro lado, o obsessivo lidará melhor com os fenómenos claustrofóbicos.

 

Dir-se-à, para finalizar, que uma medida psicoterapêutica relativa ao trauma de uma abducção alienígena, será instituir, no quarto, e eventualmente na casa toda, uma concepcção minimalista de móveis e outras estruturas da casa, ou seja, manter ao mínimo o número e complexidade de estruturas no interior da casa. Ao mesmo tempo, se deverá fazer uma  rememoração da situação traumática, em que se deslocará o afecto relativo aos seres extraterrestres para os móveis e estruturas da casa, criando, assim, memórias afectivas, para depois se fazer o já indicado, diminuindo o número e complexidade das estruturas e móveis do quarto e casa. Aquela rememoração da situação traumática dever-se-à fazer indagando no indivíduo que tipo de afectos sentiu na altura, como antes e depois, relativamente às estruturas da casa.

 

Do mesmo modo, se deverá indagar o afecto sentido em relação a outras pessoas da casa, e, no contexto do já descrito em relação à reacção obsessiva que se deverá ter, a indicação terapêutica, ao nível relacional, deverá caminhar para que o indivíduo progrida progressivamente para viver sozinho, ou seja, é como se relacionalmente se dimimuísse progressivamente o afecto traumático. Eventualmente, mais correcto, estaremos a falar da capacidade do indivíduo ficar só, que, como Winnicott ( 1958 ) nos diz, faz a pressuposição de que é um dos sinais mais importantes do amadurecimento do desenvolvimento emocional. É de reparar que este contexto relacional, em que o indivíduo terá que modificar as suas relações, e progressivamente diminuí-las, é, precisamente, mais obsessivo, trabalhando-se no sentido de uma maior independência e autonomia, e não tanto histérico, onde há uma maior importância e dependência dos relacionamentos sociais. Ora, estas características afectariam negativamente a diminuição e eliminação do trauma.

 

Quanto à terapêutica minimalista e à necessidade de reduzir os relacionamentos associados ao trauma, no sentido de estar só, estarão associadas à maior facilidade no histérico da mobilidade do afecto entre representações. Esta facilidade levará a que o afecto traumático da abducção passe mais facilmente para elementos presentes e associados ao cenário traumático, passagem essa que será externalizada, com a externalização a ser feita devido à significância emocional da situação traumática. Assim, reduzindo os elementos, reduzir-se-à progressivamente a generalização do afecto efectuada anteriormente.

 

Estas características descritas, a nível psicoterapêutico, têm particular importância no contexto daquilo que é descrito muitas vezes pelos sujeitos abduzidos, isto é, que as abducções são repetidas, e que perduram, muitas das vezes, desde a infância.

 

Ou seja, em particular, as medidas indicadas têm características preventivas.

 

 

Bibliografia

 

Bergeret, J. ( 1997 ). A personalidade normal e patológica. Climepsi Editores

 

Mack, John E. ( 1994 ). Sequestro ( tradução portuguesa ). Lisboa: Temas da Actualidade, D. L.

 

Resende, S. ( 2008 ). A agorafobia enquanto perturbação obsessiva em www.redepsi.com.br, na secção Artigos/Teorias e Sistemas no Campo Psi em 02/12/2008

 

Resende, S. ( 2008 ). A claustrofobia enquanto perturbação histérica em www.redepsi.com.br, na secção Artigos/Teorias e Sistemas no Campo Psi em 12/12/2008

 

Resende, S. ( 2009 ). Exopsicologia: uma nova área de estudo em www.redepsi.com.br, na secção Artigos/Teorias e Sistemas no Campo Psi em 27/07/2009

 

Winnicott, D. W. ( 1958 ). O ambiente e os processos de maturação – estudos sobre a teoria do desenvolvimento emocional. Artmed

publicado por sergioresende às 19:33
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