Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012

Caracterização edipiana do homem fascista

Após um resumo das bases da psicologia de massas do fascismo, analisa-se mais contemporaneamente os efeitos da repressão societal dos ideais fascistas, estabelecendo-se, neste contexto, a base do desejo do fruto proibido. É neste âmbito que depois se elabora sobre a caracterização edipiana do homem fascista.

 

Como se pode verificar em Psicologia de massas do fascismo: uma actualização ( Resende, 2012 ), é com base em Wilhelm Reich e seu Psicologia de massas do fascismo ( 1976 ), que se considera que a psicologia de massas do fascismo é caracterizada pela impotência orgástica das massas, em que as frustrações orgásticas alimentam o fascismo na psique colectiva. Estar-se-à a falar das camadas mais profundas da psique do indivíduo das massas.

 

Mais contemporaneamente, tem-se que a repressão societal dos ideais fascistas levem a que o material fascista recalcado fique mais ao nível do inconsciente e do subconsciente, não sendo tão agido. Isso leva a que, mais tarde, os indivíduos passem a funcionar a estes níveis mais profundos da psique, e em termos de psicologia de massas, leve a que o indivíduo seja mais controlado inconscientemente pelas ideias e ideais fascistas, e mesmo nazis.

Ou seja, numa primeira fase, a repressão societal destas ideias e ideais, leva a que, numa fase posterior, as mesmas sejam propagadas pela psique colectiva, pelas massas. Por outras palavras, o aumento repressor dos ideais fascistas e nazis, leva a que haja um aumento inconsciente desses mesmos ideais, em que, posteriormente, os indivíduos das massas serão controlados inconscientemente por esses mesmos ideais.

 

Um dos fenómenos que terão estas bases é o desejo do fruto proibido.

Contextualizadamente, o desejo pelo fruto proibido estará implícito na designação atribuída a Nova Iorque de Big Apple ou a Grande Maçã. Esta designação remete-nos para o pecado original da religião cristã e para o facto de o mesmo ser reprimido nas sociedades cristãs, particularmente capitalistas. Teremos, no contexto do artigo, uma evangelização a nível inconsciente das massas e uma atracção pelo regime ideológico capitalista, de que os Estados Unidos serão o grande bastião. Acontecendo, para mais, que esta evangelização será uma das bases da hegemonia dos Estados Unidos a nível cultural e ideológico, um pouco por todo o mundo.

 

Realçando o desejo do fruto proibido, no contexto deste artigo, passemos, então, à caracterização edipiana do homem fascista.

 

Edipianamente, o facto de a mãe do homem fascista ser proibida para o mesmo, particularmente por ditames religiosos, moralistas e culturais, levará a que o homem ainda a deseje mais, nunca admitindo que nunca a poderá ter, passando a uma resolução saudável do Complexo de Édipo, com deslocamento de sentimentos amorosos e sexuais para objectos de eleição que não a mãe.

Há aqui uma identificação maciça com a mãe, que no contexto fascista, trata-se de uma identificação com a mãe castrada.

Havendo essa identificação maciça, o homem fascista passará a funcionar muito ao nível da inveja do pénis, com suas sobrecompensações. Aqui, é de referir o meu artigo A inveja do pénis e a inveja do clitóris e suas implicações políticas ( Resende, 2010 ). Assim, devido ao sentimento de castração caracterizando a inveja do pénis, haverá uma sobrecompensação fálica que, no extremo, levará ao expansionismo característico do imperialismo capitalista, enquanto que a raiva narcísica, derivada do sentimento de perda do pénis, sentimento que é reforçado pela menstruação, o que só confirma as fantasias de perda, a raiva narcísica, dizia, fundamenta o militarismo capitalista e fascista.

 

O expansionismo e a agressividade militarista também caracterizarão o mundo empresarial capitalista e fascista, com mega-empresas expandindo-se além-fronteiras, no contexto do que é chamado de capitalismo selvagem.

Exemplificando o nepotismo económico, dir-se-à que o pai alimenta as fantasias inconscientes do filho de que este poderá ter a mãe, sendo isto conseguido particularmente por proibições religiosas e moralistas, típicas do ambiente conservador do mundo empresarial.

 

Resumidamente, o expansionismo e militarismo do homem fascista, advindo, na identificação maciça com a mãe castrada, da sobrecompensação fálica derivada da inveja do pénis, enquadram-se nas sociedades matriarcais capitalistas e fascistas, em que proibições societais relativamente aos aspectos matriarcais fazem com que o homem fascista perdure na sua demanda ideológica.

 

 

 

Bibliografia

 

Reich, W. ( 1976 ). Psicologia de massas do fascismo ( tradução portuguesa ) ( original de 1933 ). Publicações Dom Quixote

 

Resende, S. ( 2010 ) A inveja do pénis e a inveja do clitóris e suas implicações políticas em www.redepsi.com.br, na secção Artigos/Teorias e Sistemas no Campo Psi em 15/10/2010

 

Resende, S. ( 2012 ). Psicologia de massas do fascismo: uma actualização em www.redepsi.com.br, na secção Artigos/Teorias e Sistemas no Campo Psi ( em apreciação )

publicado por sergioresende às 15:55
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