Quinta-feira, 15 de Novembro de 2012

Teoria do Tudo em Psicologia e as forças fundamentais do Universo

Procuro, neste artigo, relacionar a Teoria do Tudo em Psicologia, que, como já indico num artigo meu, a saber, Uma aproximação à Teoria do Tudo em Psicologia ( Resende, 2011 ), procura relacionar a Psicologia com a Teoria do Tudo em Física, ou seja, a procura e unificação das forças fundamentais do Universo, relacionar, dizia eu, com as forças fundamentais do Universo, a saber, a gravidade, o electromagnetismo e as forças nucleares forte e fraca. Acerca destas forças e da procura da sua unificação, ver, por exemplo, a famosa obra de Stephen Hawking, A Brief History of Time – From the Big Bang to Black Holes ( 1995 ). Nestas relações, das duas Teorias do Tudo, tem particular importância a procura da verdade, da realidade última, a nível mental, que falava Wilfred Bion ( Symington & Symington, 1999 ).

 

Procurando conceptualizar o átomo, com seu núcleo de protões e neutrões, e com a nuvem electrónica, de electrões à volta do núcleo, introduzo aqui dois conceitos relacionados com a Psicologia.

 

Em A agorafobia enquanto perturbação obsessiva ( Resende, 2008 ), considero que a obsessão relaciona-se, particularmente, com fenómenos agorafóbicos, em que o indivíduo obsessivo tem mais dificuldade em lidar com falta de referências, de detalhes. Deste modo, o obsessivo lida melhor com fenómenos claustrofóbicos, já que se dá bem com a presença de estímulos referenciais. Assim, podemos aproximar o fenómeno obsessivo da existência nuclear, com o núcleo, mais ou menos apertado, de protões e neutrões, e associar, assim, a obsessão com as forças nucleares forte e fraca. Tem particular interesse a existência destas duas forças e a existência, precisamente, de dois tipos de partículas no núcleo.

 

Já em A claustrofobia enquanto perturbação histérica ( Resende, 2008 ), considero que o histerismo está relacionado com fenómenos claustrofóbicos, em que o histérico tem dificuldade em lidar com a presença dos referenciais, os quais são sentidos como perto de mais. Assim, o histérico lida melhor com fenómenos agorafóbicos, já que se dá bem com a ausência de estímulos referenciais. Deste modo, podemos aproximar o fenómeno histérico da existência da nuvem electrónica, de electrões à volta do núcleo, e associar, assim, o histerismo ao electromagnetismo, fenómeno este que se coaduna bem com as características relacionais histéricas de energéticas relações sociais.

 

Já a gravidade tem particular relação com o fenómeno depressivo e/ou depressão em si, em que psicologicamente e psicomotrizmente, o indivíduo se encontra abatido, sendo até verificável na própria postura, em que se pode entender que há um campo gravitacional particularmente grave, mais acentuado.

 

Quanto ao psicótico, podemos aproximar a denegação da realidade e projecção maciças ao fenómeno da Não-Localidade, postulado pela Física contemporânea, em que a denegação da realidade, acoplada com a desrealização e despersonalização, características no psicótico, remetem para a consideração da não existência estrita do real local, como se poderá ver em fenómenos sintomáticos como a fuga do pensamento e o roubo do pensamento, e que em conjunto com a projecção maciça, remetem para as características não-locais , que a Física considera como sendo a presença em mais do que um local da mesma partícula, o que é  algo contra-intuitivo, mas parece caracterizar geralmente as partículas e o Universo.

 

Finalizo, relacionando o fenómeno borderline, ou estado-limite, com uma partícula e campo particulares, o de Higgs. Efectivamente, a partícula de Higgs, ou o bosão de Higgs, tem sido conceptualizada como sendo unificadora das outras partículas elementares, cujas interacções com o campo de Higgs fornecerão a massa a essas mesmas partículas elementares. É de notar que, embora já hipotetizada desde os anos 60 do séc. XX, a partícula de Higgs só terá sido presumivelmente descoberta a 4 de Julho de 2012 [ Ver referências: ATLAS ( 2012 ), CERN ( 2012 ), CMS ( 2012 ) ]. Tendo em conta aquela importância das partículas interagindo com o campo de Higgs adquirirem a sua massa, é de considerar que o bosão de Higgs é a menor excitação possível do campo de Higgs.

 

Agora, há uma característica do bosão de Higgs, no enquadramento do Modelo Standard, que a permite relacionar com o fenómeno borderline, que é dessa partícula permitir múltiplas partículas existirem no mesmo local, no mesmo estado quântico. Ora, isto aproxima-se da característica do estado-limite de ter múltiplas organizações de personalidade como a caracterizando simultaneamente, particularmente, a neurótica e a psicótica. Outro paralelo que se pode estabelecer é o de a partícula ou bosão de Higgs ser muito instável e o facto de algo que caracteriza o borderline ser a sua instabilidade.

 

Numa nota final, tendo em conta que Bergeret ( 1997 ) considera que o fenómeno borderline caracterizará mais de 50% da população europeia, e que autores como Coimbra de Matos ( 2007 ) consideram que o fenómeno borderline, ou como ele o coloca, fenómeno borderland, não cessa de expandir nas sociedades modernas, seria interessante relacionar aquela aquisição de massa pelas partículas elementares, com a sua interacção com o campo de Higgs, e os fenómenos já relacionados, neste artigo, da gravidade associada ao fenómeno depressivo. Isto tem particular importância porque o fenómeno depressivo é transversal às várias estruturas e organizações de personalidade.

 

 

Bibliografia

 

Bergeret, J. ( 1997 ). A personalidade normal e patológica. Climepsi Editores

 

Coimbra de Matos, A. ( 2007 ). O Desepero: Aquém da Depressão ( 2ª edição ). Climepsi Editores

 

Hawking, S. ( 1995 ). A Brief History of Time – From the Big Bang to Black Holes. Bantam Books

 

Resende, S. ( 2008 ). A agorafobia enquanto perturbação obsessiva em www.redepsi.com.br, na secção Artigos/Teorias e Sistemas no Campo Psi em 02/12/2008

 

Resende, S. ( 2008 ). A claustrofobia enquanto perturbação histérica em www.redepsi.com.br, na secção Artigos/Teorias e Sistemas no Campo Psi em 12/12/2008

 

Resende, S. ( 2011 ). Uma aproximação à Teoria do Tudo em Psicologia em www.redepsi.com.br, na secção Artigos/Teorias e Sistemas no Campo Psi ( proposto em 25/03/2011 )

 

Symington, J. & Symington, N. ( 1999 ). O pensamento clínico de Wilfred Bion. Climepsi Editores

 

 

Referências

 

ATLAS collaboration ( 2012 ). “ Observation of a New Particle in the Search for the Standard Model Higgs Boson with the ATLAS Detector at the LHC “. Physics Letters B 716 (1): 1-29

 

CERN press release ( 2012 ). “ CERN experiments observe particle consistent with long-sought Higgs Boson “. 4 July 2012

 

CMS collaboration ( 2012 ). “ Observation of a new boson at a mass of 125 GeV with the CMS experiment at the LHC “. Physics Letters B 716 (1): 30-61

publicado por sergioresende às 20:59
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