Domingo, 10 de Agosto de 2014

Generosidade fálica na mulher: sua importância no seu poder criativo

Generosidade fálica na mulher: sua importância no seu poder criativo

 

Para melhor enquadrar o presente artigo, resume-se parte de um artigo meu, Inveja do clitóris e criatividade ( Resende, 2014 ), para depois se elaborar acerca da generosidade fálica na mulher, com sua importância no poder criativo da mesma.

 

Este resumo inclui a indicação da importância do distanciamento relacional do pai em relação à mãe e do útero feminino enquanto espaço de ilusão e da identificação com o pai, figura paterna, enquanto tempo de desilusão, com saída da relação omnipotente anterior, promovendo a criatividade.

 

Assim, nesse artigo, refere-se outro artigo meu, A inveja do pénis e a inveja do clitóris e suas implicações políticas, onde avanço que a inveja do clitóris, na comparação pénis-clitóris, se caracteriza pelo sentimento de subcompensação narcísica, em que há uma necessidade de tentativa de diminuição narcísica, com características contrárias ao falismo. Sendo uma inveja mais tipicamente masculina, é mais característica do obsessivo e de um sistema político mais obsessivo como o comunismo.

 

Há ainda referência a outro artigo meu, Aspectos criativos e evolutivos da inveja do clitóris, onde é indicado que a subcompensação narcísica, característica da inveja do clitóris, deriva do sentimento de superioridade narcísica advindo da comparação pénis-clitóris. Para mais, indica-se que a tentativa de diminuição narcísica, mais típica no homem, terá uma crucial importância evolutiva no sentido do estabelecimento e manutenção de relações amorosas e sexuais, entre homens e mulheres. Estas últimas caracterizar-se-ão sobretudo pela inveja do pénis, com tentativas de sobrecompensação falo-narcísicas correspondentes, baseadas em raiva narcísica, que surgirá do sentimento de perda falo-narcísica do pénis, que é reforçado pela menstruação, que introduz aspectos depressivos de perda já concretizada. Ainda relativamente à subcompensação narcísica do homem como base e origem da psique humana, considera-se a expressão bíblica: “ No princípio era o Verbo! “. Ora, psicanaliticamente considera-se que Deus não é mais do que um pai exacerbadamente idealizado, sendo a ideia religiosa de Deus uma criação humana baseada na exacerbação das características paternas. Temos ainda a noção psicanalítica de que são as ideias de parentalidade e parentais da mãe e do pai, relativamente ao filho, que estão na base da concepção do filho, em particular, desejo genuinamente parental de ter um filho. Em relação a este desejo genuíno, entra a tomada de iniciativa, efectiva, na aproximação amorosa e sexual entre mulher e homem. Tradicionalmente, e tendencialmente, esta tomada de iniciativa efectiva é feita pelo homem e não pela mulher. Enquadra-se, depois, esta iniciativa masculina no meu artigo Masturbação feminina no dia-a-dia: suas implicações psicológicas e comportamentais, onde se conclui que as características masturbatórias femininas do dia-a-dia têm como consequência a diminuição da tomada de iniciativa efectiva na aproximação amorosa e sexual. Tem-se, então, que para surgir o filho terá que haver primeiro esta aproximação sexual entre homem e mulher e tenderá a ser o homem a ter a iniciativa. Assim, a expressão bíblica “ No princípio era o Verbo! “, dirá respeito, sobretudo, à tomada de iniciativa verbal por parte do homem em relação à mulher, para uma aproximação sexual, em que posteriormente surgirá o filho. Tenha-se ainda a noção de que a tendência evolutiva daquela tomada de iniciativa verbal como que é sintetizada no pai e na mãe, do filho em consideração. Perspectiva-se, para mais, a influência verbal do pai para a criança, ainda no útero da mãe, considerando-se aqui a noção das características introjectivas do início e primeiras fases do desenvolvimento psíquico humano, em que o bebé no útero introjecta as tendências evolutivas de maior poder criador e criativo do homem, pelas tendências históricas desse poder, que baseará as características subcompensatórias do homem, na comparação com a falta de poder histórica da mulher.

 

Ainda do artigo inicialmente mencionado, cito outro artigo meu, Influência da inveja do clitóris na sistematização política por género. No mesmo, avanço que a mulher se caracterizará tanto pela inveja do pénis como pela inveja do clitóris, considerando que baseando o sistema histérico de relacionamentos, com a histeria mais típica da mulher, está a inveja que cada mulher sentirá da excitação sexual que o clitóris, de outra mulher, proporciona a essa mulher, nos relacionamentos sociais particularmente sexualizados entre mulheres. Diz-se mais, que o poder criativo diminui na mulher quanto mais se dilui esta inveja do clitóris nos relacionamentos histéricos típicos na mulher, particularmente sexualizados, dizendo-se ainda que para que a mulher sinta verdadeiro poder criativo e criador, deverá dessexualizar os relacionamentos, invertendo a histeria relacional, através da concentração da inveja do clitóris.

 

Continuando o resumo referido, cito ainda outro artigo meu, O poder criativo e as características subcompensatórias do homem derivadas da inveja do clitóris: culpabilidade fálica, onde se diz que a inveja do clitóris surgirá da culpabilidade fálica, em relação ao sentimento de superioridade sentido pelo homem na comparação pénis-clitóris, com possíveis motivos filogenéticos, num sistema de equilibração evolutivo em relação ao sentimento de inveja do pénis, tipicamente sentido pela mulher, e suas características sobrecompensatórias. Culpabilidade fálica, precisamente, em relação às características sobrecompensatórias associadas ao sentimento de superioridade referido. Diz-se ainda que considerando que o homem verdadeiramente criativo não se caracteriza pelo exibicionismo nem pela vaidade, características tipicamente fálicas, diz-se então que faz sentido quando se diz que o artista prefere que os outros não vejam a sua obra antes de ela estar acabada, controlando, precisamente, exibicionismos e vaidades.

 

Ainda do resumo, tem-se outro artigo meu, O pénis enquanto objecto transicional na criatividade, onde se indica que a inveja do clitóris, e suas características subcompensatórias, surgirá, importantemente, do reconhecimento do homem do poder inspirador que lhe surge através da identificação com as mulheres. Para mais, destaca-se, quanto à inveja do clitóris, que a subcompensação narcísica, presente nessa inveja, caracteriza-se por uma tentativa de diminuição narcísica, derivada do sentimento de superioridade narcísica advindo da comparação pénis-clitóris. Ter-se-á, então, em conta que o sentimento de superioridade narcísica referido estará relacionado com o sentimento de masculinidade. Ora, tem-se que a tentativa de diminuição narcísica surgirá no sentido da diminuição do sentimento de masculinidade, diminuição esta que terá importância evolutiva nas relações entre homens e mulheres. Tendo em conta que há um sentimento de masculinidade inicial, derivado da comparação pénis-clitóris, dir-se-á que as características subcompensatórias que caracterizam a inveja do clitóris, estarão mais relacionadas com o sentimento de feminilidade inconsciente no homem, ou seja, com o arquétipo anima. Assim, pelo dito, na produção criativa do homem haverá uma diminuição do sentimento de masculinidade e uma acentuação do sentimento de feminilidade inconsciente.

 

Acrescente-se aqui, que, por contraponto, intui-se que para maior produção criativa da mulher, esta deverá identificar-se com o homem inspirado e inspirador, com a acentuação do seu sentimento de masculinidade inconsciente, e não apenas aquela externa ou externalizada.

 

Continuando o resumo, já aparte da referência a outros artigos, fazem-se agora elaborações, com destaque para os já referidos aspectos vivenciais e imaginários da vivência fetal, na relação com a mãe, e no útero desta, e com o pai.

 

Assim, considerando na criatividade, derivada da inveja do clitóris, a tentativa de diminuição narcísica, temos, imaginariamente, na identificação com o pai ou figura paterna, como que uma retrogressão, do feto em relação à distância relacional do pai em relação à mãe, em que poderemos enquadrar aqui a culpabilidade fálica, como que uma crítica psicológica do homem em relação à mulher, por esta, na inveja do pénis típica, ver o pénis enquanto falo. É importante a diferença relacional do feto em relação à mãe e do feto em relação ao pai. Já que a tentativa de diminuição narcísica advém do sentimento de superioridade sentido pelo homem na comparação pénis-clitóris, temos que naquela distância e diferença relacional, na retrogressão, o artista, na identificação com o pai, terá aquele sentimento como que advindo do próprio clitóris, daí a inveja do clitóris, já que não é um sentimento fálico, mas advindo, pelo contrário, da culpabilidade fálica do homem em relação à mulher, contrariando o falismo, tendo, deste modo, a mãe, e posteriormente, a mulher em geral, como referência de inspiração e criatividade, enquanto musa. Ocorrerá uma dupla identificação, com o pai, e com o próprio, imaginadamente no útero da mãe, em que temos, numa linha Winnicottiana, o útero enquanto espaço de ilusão por excelência, enquanto objecto transicional. Naquele distanciamento relacional referido, surge-nos então, o famoso gesto do artista utilizando o polegar, para medir distâncias e proporções, em relação à sua musa, paisagem, etc., em que temos que a relação entre o artista e a sua musa implicam um distanciamento relacional.

 

No distanciamento e diferença relacional referidos, temos um trabalho de diferenciação psíquica, em relação ao qual podemos enquadrar a contribuição de Margaret Mahler, como se pode ver no Dicionário de Psicopatologia da Criança e do Adolescente, de Houzel, Emmanuelli & Moggio, que nos descreve uma fase de separação-individuação, como sendo dois processos complementares, permitindo à criança sair da fusão simbiótica com a mãe, que caracteriza os primeiros meses de vida, em que até aos três anos passará por uma série de fases sucessivas durante as quais a criança investiria progressivamente a mãe e as funções do seu ego, adquirindo assim uma representação interiorizada de si própria, ligada mas distinta da representação do objecto.

 

Continuando o resumo, repare-se que, referindo-nos à conceptualização do objecto transicional por Winnicott, como indicado no Dicionário já mencionado, o objecto transicional, na criatividade, implica uma fase ou tempo de ilusão e uma fase ou tempo de desilusão, em que nesta última surge o objecto mais objectivado, numa verdadeira relação de objecto, partindo de uma fase de ilusão, em que os objectos são considerados extensões do ego, com um controlo omnipotente, numa relação fusional. Ora, na desilusão, ocorrem frustrações entre o que é esperado e o que é apresentado. Se da ilusão, começa-se a construir o espaço transicional, o objecto transicional, com estas frustrações, na desilusão, a relação de controlo omnipotente atenua-se para se instaurar progressivamente uma relação de objecto, entre seres separados e distintos, em que a área transicional torna-se progressivamente uma área partilhada, área intermediária de experiência, em que fenómenos, espaço e objectos trnasicionais começarão a ser desinvestidos e dissolvidos no domínio cultural, em que a experimentação interna subsistirá enquanto imaginação e trabalho criativo.

 

Ora, a vivência imaginada no feto, e a identificação do sujeito, do artista, com esta, está na linha do espaço de ilusão, da vivência de ilusão, numa relação fusional, e a identificação com o pai, que implica a frustração da saída da relação omnipotente no útero, na relação fusional, na diferença relacional relativamente à mãe e ao feto, enquanto próprio, está na linha da desilusão, em que o espaço transicional que terá sido o útero começa a ser desinvestido e começa a haver trabalho imaginativo e criativo, em que a mãe, e a mulher, em geral, nas identificações secundárias, continuam a ser fonte de inspiração, com o útero feminino enquanto espaço de ilusão e, precisamente, pela triangulação edipiana ocorrida, em que a mãe é vista enquanto ser separado e distinto, e o próprio imaginariamente no útero da mãe também é visto enquanto separado, e em que na identificação com o pai, e outros homens, nas identificações secundárias, ocorre uma desenfetização e uma desuterização.

 

Ora, ocorre a inveja do clitóris por o clitóris ser sinal de fonte criativa, ser sinal de início do processo criativo, e ocorre o sentimento de superioridade no homem pela mais fácil identificação, na triangulação edipiana, enquanto género, com o pai, figura paterna, e outros homens, permitindo a continuação e conclusão do mesmo processo criativo. Na mulher, e como se disse anteriormente, deverá haver diminuição da inveja do clitóris, esta, particularmente pela excitação sexual imaginada noutra mulher através do clitóris da mesma, diminuindo-se a diluição do poder criativo, com a escolha de uma ou poucas figuras de eleição, havendo posteriormente a identificação com o pai ou figura paterna, para também na triangulação edipiana haver a continuação e conclusão do processo criativo. Do mesmo modo, para a mulher, o clitóris será sinal de fonte criativa, sendo, contudo, mais difícil para a mesma sair do início do processo criativo, quer pela diluição do poder criativo nos comportamentos histéricos particularmente sexualizados nas relações sociais entre mulheres quer por a identificação posterior com o pai ou figura paterna ser mais difícil, na triangulação edipiana, por em termos de género ser mais difícil a passagem de objecto de amor materno para objecto de amor paterno, porquanto no homem o objecto de amor permanece em geral o mesmo, o materno.

 

Finalizado o resumo, e já para o presente artigo, tenha-se a noção da predominância do oro-falismo na mulher, com essa organização básica no histerismo, com a histeria mais tipicamente feminina, e com o sistema histérico capitalista, no âmbito do capitalismo global contemporâneo, no âmbito das respectivas sociedades falocêntricas actuais, baseadas no matriarcado que se apoia na sexualidade e psicossexualidade femininas.

 

Ora, para a mulher potenciar o seu poder criativo deverá desenvolver uma generosidade fálica, em que no distanciamento relacional relativamente ao homem inspirado e inspirador, este enquanto muso, por contraponto às habituais musas, há uma identificação, em que, partindo da noção de inveja do pénis, em que o pénis é tido como poder fálico, ocorre um tempo de ilusão, em que também a mulher tem em si própria a vivência do pénis enquanto falo, este enquanto falo poderoso, neste caso, na sobrecompensação do clitóris, e numa relação omnipotente, dual, com esse homem, passando-se a um tempo de desilusão, na generosidade fálica, que caracteriza-se pela tentativa de diminuição falo-narcísica, do homem para a mulher, e pela mulher, no distanciamento relacional, em que progressivamente o homem é visto com o pénis enquanto genital e a mulher com a vulva e vagina enquanto genital, com o real reconhecimento da diferença anatómica entre os sexos, em que a desilusão é a perda da noção do pénis enquanto falo todo-poderoso. A generosidade fálica, por contraponto à inveja do pénis, caracteriza-se, então, pela perda fálica e pela tentativa de diminuição falo-narcísica, com diminuição de exibicionismo e vaidade, por exemplo, traços eminentemente fálicos, com promoção destas características nos outros, daí a generosidade fálica. Repare-se que isto envolverá a noção já referida de culpabilidade fálica em relação à própria, culpabilidade em relação aos factores falo-sobrecompensatórios na mulher, particularmente na inveja do pénis. Isto nos leva também à diminuição da inveja do clitóris, considerando a sobrecompensação fálica uma sobrecompensação relativa ao clitóris, que caracterizará cada mulher, inveja que está relacionada com a percepção da excitação sexual que cada mulher sentirá com o clitóris, e percebido pela outra mulher, no âmbito das relações sociais tipicamente sexualizadas entre mulheres, em que a excitação sexual na mulher está associada a um factor sobrecompensatório. Esta diminuição da inveja do clitóris, com concentração da mesma, em uma ou poucas figuras de eleição, e inversão da histeria relacional, também potenciará o poder criativo da mulher, em que se tentará diminuir a excitação sexual associada a um factor sobrecompensatório.

 

Um exemplo de generosidade fálica é o de na Universidade, professores permitirem, particularmente em aulas prácticas, alunos apresentarem aulas, diminuindo exibicionismos nos próprios, com culpabilidade fálica de eventuais factores sobrecompensatórios associados à reputação académica e ao lugar de professorado universitário, e fomentando exibicionismos nos alunos, tendo nós também o exemplo de professores permitirem participação activa dos alunos nas aulas. Ou seja, com aulas menos expositivas e mais interactivas.

 

Aquele real reconhecimento da diferença anatómica entre os sexos faz lembrar uns versos da banda musical Tuxedo Moon: “ In heaven everything is fine, in heaven everything is fine, you’ve got yours baby, I’ve got mine !“.

 

 

Bibliografia

 

Resende, S. ( 2014 ). Inveja do clitóris e criatividade em www.psicologado.com               ( proposto a 01/2014 )

publicado por sergioresende às 10:51
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