Quinta-feira, 24 de Abril de 2014

Necrofilia televisiva: sua importância na mulher

Necrofilia televisiva: sua importância na mulher

 

Propõe-se o conceito de necrofilia televisiva, associada ao catar sexual feminino, de mulheres em relação a outras mulheres, na televisão, com psicocinese sexual, em que a eventual situação de as mulheres televisionadas estarem já mortas, ou com o catar imaginado de outras mulheres num futuro, às presentes televisionadas, nesse futuro já mortas, entre outros aspectos, dá um contorno necrofílico a essas mulheres, enquadrando-se também isso nos hábitos televisivos das mesmas.

 

Para começar, considerem-se dois artigos meus, a saber, Masturbação feminina no dia-a-dia: suas implicações psicológicas e comportamentais ( Resende, 2008 ) e Orgasmo feminino enquanto “ pequena morte “ ( la petite mort ) ( Resende, 2012 ). O primeiro deles refere-se ao hábito diário do comportamento masturbatório feminino, e às suas implicações comportamentais e psicológicas, com o hábito da fêmea humana de se excitar e de se masturbar em qualquer local que se encontre, através da sua musculatura vaginal e pélvica, até atingir o clímax, num movimento paroxístico. Indica-se que já Freud, nos Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade, nos falava da satisfação sexual sentida pela rapariguinha contraindo os brações entre as pernas, como contraforça, realçando-se a prevalência deste tipo de comportamento. Mais se refere, que na observação quotidiana, associadas a estes comportamentos masturbatórios estão as eventuais ocorrências de um “ engolir em seco “, aquando do clímax e, muito importante, as ocorrências de comportamentos sonolentos, como o bocejar, aquando do clímax, em que a mulher ou a rapariga começam a ficar com sono, sendo de realçar a proximidade entre o clímax e os comportamentos sonolentos. Ainda Freud, no mesmo livro, assim, se refere, nos fala da satisfação sexual associada ao sono, como sendo uma regressão, em que a mulher regressa como que a um estado intra-uterino, em completa dependência de outrem. Destaca-se, nestes comportamentos, que por mais satisfação sexual que se obtenha, a capacidade multi-orgásmica, os comportamentos de “ engolir em seco “ e do comportamento sonolento não diminuem, indicando que a plena satisfação sexual não é obtida, persistindo os comportamentos masturbatórios. Isto leva a crer que diminui a capacidade de procura efectiva de satisfação sexual, na relação, importantemente, o que nos leva à noção, mais ou menos presente, pelo menos na cultura ocidental, de menor iniciativa sexual da mulher, em termos de comportamentos efectivos de procura de satisfação sexual. Ora, quanto a esta menor iniciativa, e quanto à dependência, referida anteriormente, é de notar que Jung, em The Archetypes and the Collective Unconscious, indica que a mulher que não se identifica com o Eros materno perde a capacidade de iniciativa. É como se a mulher, nesse comportamento sexual típico de masturbação se identificasse mais com o Tanatos materno. Já no segundo dos meus artigos referidos, acrescenta-se que considerando que a resolução é a fase de resposta sexual humana que se segue ao orgasmo, teríamos aqui que a irresolução crónica na mulher estará associada à morte, sendo neste contexto que se enquadra a famosa expressão francesa do orgasmo feminino enquanto “ la petite mort “, a pequena morte.

 

Tendo nós, então, a sexualidade feminina associada ao instinto de morte, consideremos agora o meu artigo Catar sexual feminino enquanto fobia social                ( Resende, 2012 ), catar esse enquanto sentimento de estar a sugar sexualmente outra mulher, nos relacionamentos sociais tipicamente sexualizados entre mulheres, que também se caracteriza pelo sentimento de estar a sugar sexualmente o sangue de outra mulher, na eventual menstruação desta, que faz lembrar à mulher o sinal depressivo de perda já efectuada do pénis, que é confirmada em fantasia pela menstruação, com sentimento de perda do amor do objecto, já que fantasia que foi o objecto na relação precoce que lhe amputou o pénis, com raiva narcísica associada, pela agressividade imaginada na amputação. Será esta situação que desencadeará a fobia social, em que considerando a histeria tipicamente feminina, temos esta fobia social relacionada com a superficialidade típica dos relacionamentos histéricos, com uma contrafobia relacionada com a sociabilidade também típica desses relacionamentos.

 

Temos, ainda, a referência de Lacan ( 1996 ) da associação entre catar sexual feminino e instinto de morte.

 

Já em Identidade de percepção e Identidade de pensamento ( Resende, 2014 ) refere-se que o catar sexual feminino do dia-a-dia está associado a uma capacidade psicocinética sexual, com a ocorrência de uma dependência psicocinética sexual, associada às características fisionómicas próprias da mulher, com condicionamento hipnótico.

 

Realça-se, agora, a importância da psicocinese sexual feminina, com condicionamento hipnótico, em meios como televisão, cinema, rádio, CDs, DVDs, em filmes gravados, portanto, em que se destaca o aspecto de programas gravados, relativos ao passado.

 

Com isto dito, destaca-se a hierarquização feminina nestes meios, em que aquelas que surgem nos mesmos terão estatuto hierárquico superior, já que serão menos, em que aquelas que não surgem nesses meios serão muitas mais, em, hipnoticamente, algumas destas tentarão surtir mais efeito psicocinético do que as restantes, em que as reacções das presentes nesses meios controlarão sobremaneira esses efeitos, em que, nesse controlo, manifestarão, eventualmente, que estão a sofrer esses efeitos, não o estando de facto.

 

Voltando aos programas gravados, e ao passado, teremos destacadamente a presença de pessoas já mortas, em particular, e em especial, mulheres, em que teremos uma psicocinese sexual mais associada ao instinto de morte, em que haverão afectações psicológicas numa luta entre a telespectadora que se sentirá mais viva e as mulheres que já estarão mortas, que surgem nesses meios, em que, pelo condicionamento hipnótico, a mulher telespectadora se sentirá a morrer, digamos assim.

 

Dada a psicocinese sexual do dia-a-dia da mulher, teremos que esta psicocinese sexual relativa ao passado, será contrabalançada por essa psicocinese do dia-a-dia, em que este contrabalançamento indicará uma tentativa de contrabalançar o instinto de morte com o instinto de vida da psicocinese sexual do dia-a-dia, em que esta última é sentida assim mais por contraponto à psicocinese relativa ao passado, e à eventual situação da televisionada já ter morrido, embora tenha também identificação com o instinto de morte, como já vimos.

 

Realça-se agora que o directo desses meios estará mais associado com a tentativa contrabalançada do instinto de vida, por estar mais directamente ligado à psicocinese sexual do dia-a-dia, por ser directo, por contraponto aos programas gravados, mais associados ao instinto de morte, em que, resumidamente, no directo, teremos uma vivificação do instinto de morte. Estas ideias têm particular importância no telespectador feminino, em especial na televisão e cinema, diferenciadamente da relação estrita da psicocinese sexual do dia-a-dia, em que pelo já dito, pela sua associação com o instinto de morte, promoverá uma identificação com aquelas televisionadas, mais ligadas ao instinto de morte, como vemos a seguir.

 

Pelas diferenças hierárquicas, já referidas, teremos que as televisionadas representarão mais o instinto de morte, já que mais tarde ou mais cedo as mesmas morrerão, e farão parte daquela psicocinese associada ao instinto de morte, enquanto que as telespectadoras representarão mais o instinto de vida, em que quanto mais afectadas  se sentirão na psicocinese sexual associada ao passado, e ao instinto de morte, mais tentarão vivificar os mesmos, com correlatos de relativo sucesso dos directos.

 

Para finalizar, diríamos que a visualização de televisão, e outros meios, particularmente os directos, por parte da mulher, diminui a identificação com o instinto de morte do catar sexual feminino do dia-a-dia, que é intensificada com a visualização de programas gravados, tendo-se sempre a noção da eventual psicocinese sexual num futuro, por parte de uma mulher, e em particular, de outra, ou outras, relativa à mulher televisionada, que nesse futuro poderá já estar morta, eventualidade e manifestações estas que influenciarão psicologicamente a mulher que assiste a televisão, cinema, etc., ou seja, tendo-se a noção mais ou menos presente, ou eventualmente inconsciente, da omnipresença do instinto de morte nesses meios, particularmente na perspectiva do público feminino.

 

Nesta espécie de necrofilia televisiva, e pelos contrabalançamentos psicocinéticos sexuais referidos, temos que a presença maciça e notória de imagens televisivas de assuntos relacionados com morte e destruição, quer seja em noticiários, telenovelas, reality-shows, publicidade, etc., e especialmente nos noticiários, de imagens de guerra, com mortos, ensanguentados ou não, terramotos, acidentes de viação, assassinatos, assassinos em série, assassinos em massa, etc., promoverão a adesão do telespectador a esses programas, e à televisão em geral, e especialmente pelo público feminino, realçando-se, ainda, o condicionamento hipnótico e a dependência psicocinética sexual feminina, em particular baseados nas características fisionómicas próprias da mulher, destacando-se o odor sexual tipicamente exalado pela mesma.

 

Assim é, pois nesta adesão identificatória há o prevalecer do bom self, por contraponto ao mau self projectado na televisão, num enquadramento borderline, histero-psicótico, com self clivado e com a histeria mais tipicamente feminina, em que no sistema de idealidade o sujeito se auto-idealiza positivamente, com correspondentes ganhos narcísicos, o que continuará a promover a identificação de adesão com as imagens referidas, e com a televisão em geral, em que ocorre uma constância da necrofilia televisiva, à qual também estão associados aspectos relativos ao instinto de morte como o ódio e a destruição.

 

 

Bibliografia

 

Lacan, J. ( 1996 ). Escritos. Editora Perspectiva

 

Resende, S. ( 2008 ). Masturbação feminina no dia-a-dia: suas implicações psicológicas e comportamentais em www.redepsi.com.br, na secção Artigos/Teorias e Sistemas no Campo Psi em 12/11/2008

 

--------------- ( 2012 ). Orgasmo feminino enquanto “ pequena morte “ ( la petite mort ) em www.psicologado.com ( proposto a 05/2012 )

 

--------------- ( 2012 ). Catar sexual feminino enquanto fobia social em www.psicologado.com ( proposto a 06/2012 )

 

--------------- ( 2014 ). Identidade de percepção e Identidade de pensamento em www.psicologado.com ( proposto a 04/2014 )

publicado por sergioresende às 14:46
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