Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2013

A guerra militar no homem fascista

Resume-se, inicialmente, os meus artigos Psicologia de massas do fascismo: uma actualização ( Resende, 2012 ) e Caracterização edipiana do homem fascista ( Resende, 2012 ), para depois se complementar essas ideias com a caracterização da guerra militar no homem fascista.

 

Assim, tem-se em conta que Wilhelm Reich, em seu Psicologia de massas do fascismo    ( 1976 ), considera que a psicologia de massas do fascismo é caracterizada pela impotência orgástica das massas, em que as frustrações orgásticas alimentam o fascismo na psique colectiva.

 

Dir-se-à, para mais, que a repressão societal dos ideais fascistas leva a que o material fascista recalcado fique mais ao nível do inconsciente e do subconsciente, não sendo tão agido. Isso leva a que, mais tarde, os indivíduos passem a funcionar a estes níveis mais profundos da psique, e em termos de psicologia de massas, leve a que o indivíduo seja mais controlado inconscientemente pelas ideias e ideais fascistas. Então, a repressão societal destas ideias, numa primeira fase, leva a que, numa fase posterior, as mesmas sejam propagadas pela psique colectiva, pelas massas. Por outras palavras, o aumento repressor dos ideais fascistas leva a que haja um aumento inconsciente desses mesmos ideais.

 

Assim, temos que, contemporaneamente, e considerando o ódio dos nazis aos judeus e os acontecimentos da segunda guerra mundial, o apoio incondicional a Israel, ou pelo menos às governações sionistas, por parte dos Estados Unidos, enquanto grande superpotência mundial, considerando ainda a influência extrema judaica, ou sionista, nos Estados Unidos, no quadro do Capitalismo global, parecendo libertário, pela associação à derrota do nazismo na segunda guerra mundial, é opressor e fascista. Isto pelas suas consequências. Dir-se-à, ainda, que o apoio incondicional dos Estados Unidos a Israel será a grande base da opressão e disseminação fascista na geopolítica contemporânea, pelo reprimir em grande escala dos ideais fascistas. Em grande escala, devido à hegemonia dos Estados Unidos na geopolítica internacional, no âmbito do capitalismo global. Exemplos dessas consequências são o sistema fascista sionista actual, com sistema de apartheid em relação aos palestinianos, e com ocupação imperialista dos territórios palestinianos, para além do recrudescimento do neo-nazismo na Europa, em países como a Alemanha e a França, ou, por exemplo, em países do leste europeu, considerando a influência dos Estados Unidos nestes países.

 

Ora, outro dos fenómenos que tem estas bases é o desejo do fruto proibido. Contextualizadamente, o desejo do fruto proibido estará implícito na designação atribuída a Nova Iorque de Big Apple ou a Grande Maçã. Esta designação remete-nos para o pecado original da religião cristã e para o facto de o mesmo ser reprimido nas sociedades cristãs, particularmente capitalistas. No contexto do artigo, temos uma evangelização a nível inconsciente das massas e uma atracção pelo regime ideológico capitalista, de que os Estados Unidos serão o grande bastião. Assim, esta evangelização será uma das bases da hegemonia dos Estados Unidos a nível cultural e ideológico, um pouco por todo o mundo.

 

Passemos à caracterização edipiana do homem fascista, realçando-se este desejo do fruto proibido.

 

Edipianamente, o facto de a mãe do homem fascista ser proibida para o mesmo, particularmente por ditames religiosos, moralistas e culturais, levará a que o homem ainda a deseje mais, nunca admitindo que nunca a poderá ter, passando a uma resolução saudável do Complexo de Édipo. Há aqui uma identificação maciça com a mãe, que no contexto fascista, trata-se de uma identificação com a mãe castrada. Havendo uma identificação maciça, o homem fascista passará a funcionar muito ao nível da inveja do pénis, com suas sobrecompensações. Também baseado no meu artigo A inveja do pénis e a inveja do clitóris e suas implicações políticas ( Resende, 2010 ), é de dizer que devido ao sentimento de castração caracterizando a inveja do pénis, haverá uma sobrecompensação fálica, que no extremo levará ao expansionismo característico  do imperialismo capitalista e fascista, enquanto que a raiva narcísica, derivada do sentimento de perda do pénis, sentimento que é reforçado pela menstruação, fundamenta o militarismo capitalista e fascista.

 

Temos, então, que o pai do homem fascista alimenta as fantasias inconscientes do filho de que este poderá ter a mãe, tendo-se, também, que as proibições societais relativamente aos aspectos matriarcais fazem com que o homem fascista perdure na sua demanda ideológica.

 

Continuando, para este artigo, realce-se o aspecto já referido da sobrecompensação fálica levar ao expansionismo, característico na guerra fascista, e o aspecto do pai do homem fascista permitir a ilusão de o filho fascista alcançar e possuir a mãe, isto particularmente por imposições morais.

 

Quanto a estas imposições morais, considere-se que Wilhelm Reich, particularmente em Character Analysis ( 1990 ), indica que as mesmas, vindas de fora, são causadoras de patologia mental, particularmente aquilo que ele chama de praga emocional, que leva ao fascismo. Estas noções também podem ser vistas noutro livro dele, já referido, Psicologia de massas do fascismo. Enquadra-se, aqui, o sistema doentio do militarismo expansionista fascista, em que este baseia-se, particularmente, em raiva narcísica, e em que se está a um nível megalomaníaco.

Considere-se, ainda, que na identificação com a mãe castrada, há uma identificação consequente, relacionada com angústia depressiva, com o sangue menstrual, em que o mesmo representa para o homem fascista a perda do amor do objecto, que no caso será a mãe. Há uma identificação com o sentimento de perda do pénis da mãe, com consequente sentimento de perda do amor do objecto, em que o próprio se sentirá culpabilizado e responsabilizado pela perda do pénis da mãe.

 

Há uma identificação com o sangue menstrual, resultante desta relação culpabilizante com a mãe, da qual o homem fascista desenvolverá raiva narcísica baseada na culpabilidade. É como se o homem fascista finalmente considerasse que é mesmo culpado pela perda do pénis da mãe, e se identificasse com a agressividade fantasiada envolvida na amputação do pénis da mãe. Nesta identificação, surgirá a inveja do pénis do homem fascista, havendo depois comparações com os pénis de outros homens. Basicamente, há a identificação acentuada com a mãe castrada. Podemos pensar na fusão psicótica, com características projectivas predominantes que caracterizarão sobremaneira os sistemas xenófobos fascistas. Isto, no contexto das sociedades histéricas capitalistas matriarcais, com o seu extremo, fascismo.

 

Com isto, tendo em conta o militarismo expansionista do homem fascista, e considerando que os comandos militares e políticos, na base de ofensivas de guerra militar, e os próprios soldados, são geralmente homens, teremos que o sangue envolvido na guerra militar, como que baseará o surgimento de mais sangue, no sentido em que o sangue menstrual, como sinal de perda do pénis, fantasiada na mulher como já efectuada, baseará a raiva narcísica que despoletará a agressividade, característica na depressividade histérica, como se pode ver, por exemplo, em O palhaço de circo e a depressividade histérica ( Resende, 2012 ). Estes homens caracterizar-se-ão, então, por esta raiva narcísica, com sentimento de perda do amor do objecto, que será a mãe, já que fantasiam que a mãe sabe que foi ele que amputou o pénis da mãe.

 

Antes de finalizar, dir-se-à que na guerra militar do homem fascista, há a procura, há a demanda do pénis perdido, particularmente da mãe, com um importante sentimento de culpabilidade, e que pode ser simbolizada na procura da conquista da bandeira hasteada do inimigo. Uma derivação importante é a colocação, por parte dos sistemas fascistas, de governos fantoche em outros países, em que a bandeira deste tipo de aliado representa uma maneira de o homem fascista ultrapassar a censura, que, bem se entende, estará externalizada.

 

É de notar, importantemente, que este pénis perdido da mãe do homem fascista tratar-se-à do próprio filho que, ao nascer, representará o pénis da mãe, associando-se, assim, ao desejo fálico sobrecompensatório da mulher em ter um filho, e de cujos vestígios apenas restam, nada mais nada menos, que o clitóris. Estamos ao nível do trauma do nascimento, portanto, com uma relação traumática com a mãe, em que o filho é um filho-falo por excelência. Compreende-se, então, melhor, o sentimento de culpabilidade que o homem fascista sente em relação à mãe, no sentido de o mesmo ter amputado o pénis da mãe.

 

Pelas várias características aduzidas, e particularmente pela presença habitual de sangue menstrual nas sociedades, particularmente histéricas capitalistas, com o seu extremo, fascismo militarista expansionista, temos que há um continuar renovado de motivos psicológicos para que o homem fascista queira ir para guerra.

 

 

Bibliografia

 

Reich, W. ( 1976 ). Psicologia de massas do fascismo ( tradução portuguesa ). Publicações Dom Quixote

 

Reich, W. ( 1990 ). Character Analysis ( 3rd edition ). Farrar, Straus and Giroux

 

Resende, S. ( 2010 ). A inveja do pénis e a inveja do clitóris e suas implicações políticas em www.redepsi.com.br, na secção Artigos/Teorias e Sistemas no Campo Psi em 15/10/2010

 

Resende, S. ( 2012 ). Psicologia de massas do fascismo: um actualização em www.psicologado.com ( proposto a 01/2012 )

 

Resende, S. ( 2012 ). Caracterização edipiana do homem fascista em www.psicologado.com ( proposto a 01/2012 )

 

Resende, S. ( 2012 ). O palhaço de circo e a depressividade histérica em www.psicologado.com ( proposto a 12/2012 )

publicado por sergioresende às 13:07
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Domingo, 15 de Janeiro de 2012

Psicologia de massas do fascismo: uma actualização

Resumindo as bases da psicologia de massas do fascismo, baseadas em Wilhelm Reich, levarei a uma análise mais contemporânea desse fenómeno.

 

Wilhelm Reich, em seu Psicologia de Massas do Fascismo ( 1976 ), fala-nos de que a psicologia de massas do fascismo é caracterizada pela impotência orgástica das massas, em que as frustrações orgásticas alimentam o fascismo na psique colectiva. Esta alimentação deriva para as camadas mais profundas da psique do indivíduo das massas. Reich analisou sobretudo o nazismo, seu contemporâneo.

 

Numa análise mais contemporânea, teremos que a repressão societal dos ideais fascistas, levem a que o material fascista recalcado fique mais ao nível do inconsciente e do subconsciente, e não será tão agido, portanto. Isso leva a que, mais tarde, os indivíduos passem a funcionar a estes níveis mais recônditos da psique, e, em termos de psicologia de massas, leve a que o indivíduo seja mais controlado inconscientemente pelas ideias e ideais fascistas, e mesmo nazis.

Ou seja, com a repressão societal destas ideias e ideais, numa primeira fase, levará a que, numa ulterior fase, as mesmas sejam propagadas pela psique colectiva, pelas massas, portanto. Ou seja, aumento repressor dos ideais fascistas e nazis, levam a que haja um aumento inconsciente desses mesmos ideais. Posteriormente, os indivíduos das massas serão controlados inconscientemente por esses ideais.

 

Num aparte, este fenómeno estará na base do desejo do fruto proibido.

Contextualizadamente, o desejo pelo fruto proibido estará implícito na designação atribuída a Nova Iorque de Big Apple, ou a Grande Maçã. Esta designação remete-nos para o pecado original da religião cristã e para o facto de o mesmo ser reprimido nas sociedades cristãs, particularmente capitalistas.

Teremos, então, pelo contexto do artigo, uma evangelização a nível inconsciente das massas, e uma atracção pelo regime ideológico capitalista, de que os Estados Unidos serão o grande bastião.

Assim, esta evangelização será uma das bases da hegemonia dos Estados Unidos, a nível cultural e ideológico, um pouco por todo o mundo.

 

Voltando mais especificamente ao artigo, contemporaneamente, e considerando o ódio dos nazis aos judeus e os acontecimentos da segunda guerra mundial, dir-se-à que o apoio incondicional a Israel, ou pelo menos às governações sionistas, por parte dos Estados Unidos, enquanto grande superpotência mundial, considerando ainda a influência extrema judaica nos Estados Unidos, no quadro do Capitalismo global, parecendo libertário, pela associação à derrota do nazismo na segunda guerra mundial, é opressor e fascista. Isto, pelas suas consequências.

Dir-se-à, ainda, que o apoio incondicional dos Estados Unidos a Israel será a grande base da opressão e disseminação fascista na geopolítica contemporânea pelo reprimir em grande escala dos ideais fascistas, na associação com Israel Em grande escala, devido à hegemonia dos Estados Unidos na geopolítica internacional, no âmbito do Capitalismo global.

 

Em termos exemplificativos da disseminação fascista temos o sistema fascista sionista actual, com sistema de apartheid em relação aos palestinianos e com ocupação imperialista do território palestiniano.

Temos ainda o exemplo da tendência cada vez mais fascista existente nos Estados Unidos, com a aprovação de leis como a Patriot Act, e sua prorrogação e extensão, permitindo a vigilância e a detenção por tempo indeterminado de qualquer cidadão americano, e da SOPA, ou Stop On-line Piracy Act, que aponta para a limitação das liberdades de expressão, e não só, na Internet, em que várias mega-empresas de Internet decidiram fechar em reacção a esta lei. Ainda em relação aos Estados Unidos, temos o extremo draconiano de vigilância nos aeroportos e a caracterização militarista e imperialista das intervenções dos Estados Unidos um pouco por todo o mundo.

Temos ainda o recrudescimento do neo-nazismo na Europa, em países como a Alemanha ou, por exemplo, em países do leste europeu, considerando importantemente a relação próxima destes países europeus com os Estados Unidos e de estes liderarem ideologicamente os europeus.

 

Finalizando, tem-se que, para diminuir a disseminação e influência fascista e nazi na geopolítica contemporânea, deverá acontecer que os Estados Unidos da América deixem de apoiar incondicionalmente Israel, a nível militar, financeiro, político, ao nível da geoestratégia, etc..

 

 

 

Bibliografia

 

Reich, W. ( 1976 ). Psicologia de Massas do Fascismo ( tradução portuguesa ) ( original de 1933 ). Publicações Dom Quixote

publicado por sergioresende às 18:54
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